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sábado, 24 de novembro de 2007

Ibson: retrato de um rubro-negro apaixonado


Entrevista de Ibson ao globoesporte.com:

Nas rodas de bate-papo dos rubro-negros, ele virou "Ibshow". Ídolo da torcida do Flamengo, o volante não muda seu jeito hiperativo de ser. Enquanto dá entrevista, não pára de balançar a perna. Em campo, também não consegue ficar sossegado.

Desarma, corre, vibra, reclama, passa, chuta, faz gol. Já são seis no Brasileiro. Nada mal para quem estreou em agosto e participou efetivamente da arrancada que retirou o Flamengo da 19ª colocação e o deixou na terceira.

A Libertadores é um sonho palpável e pode até vir após a partida contra o Atlético-PR, neste domingo. Talvez até mais do que a seleção brasileira. Na partida contra o Uruguai, na última quarta, nenhum dos 11 titulares jogava no Brasil. A preferência é daqueles que estão no exterior. Mas Ibson tenta apegar-se aos - raros - exemplos que vão contra a regra para ambicionar um lugar nas próximas convocações.

- Ah, mas o Kléber, do Santos, foi convocado. E o Mineiro e o Josué também tiveram chance quando ainda eram do São Paulo. Acho que se o jogador estiver bem e o clube também passar por um bom momento, a seleção abre as portas. Eu tenho esse sonho - diz o jogador, que completou 24 anos no dia 7 de novembro.

Pior que, até julho deste ano, ele estava em posição mais "cômoda". Jogava no observado futebol europeu. Mas a infelicidade começou a atrapalhá-lo. A série de lesões e a intransigência do técnico Jesualdo Ferreira o relegaram a segundo plano no Porto.

- Foi complicado. Minha noiva, atualmente minha esposa, pediu dispensa da faculdade para me ajudar. Eu ficava muito chateado com aquilo, o técnico dizia que eu não encaixava no estilo de jogo dele. Por isso, achei que era o momento certo de voltar para casa - afirma Ibson, cujo contrato com o Flamengo vai até 30 de junho.
O camisa 7 ainda não conhece o lado das vaias na Gávea. Quando não consegue resolver na técnica, apela à disposição. Mesmo com o tornozelo direito inchado, herança do pisão que recebeu no jogo contra o Inter, em agosto.

- Se você olhar, vai ver que não está normal. Ainda dói um pouco quando chuto. Só vai
melhorar nas férias - diz, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, no saguão do hotel onde o Flamengo ficou hospedado em Teresópolis.

GLOBOESPORTE.COM: O ano nem terminou e já especula-se que você pode deixar o Flamengo em janeiro. Falou-se numa volta ao Porto, um interesse do Olympiacos...

Ibson: Meu contrato com o Flamengo vai até 30 de junho e não tem como eu sair antes. Contrato é para ser cumprido. Se eu vou ficar depois disso, não sei. Meu momento é muito bom, mas não cabe a mim e sim ao Porto, ao Flamengo e ao empresário decidirem.

O Jesualdo Ferreira, com quem você teve problemas, continua como técnico do Porto. Seria um motivo a menos para você retornar?

Sim, tivemos um problema. Mas não tenho nada contra ele. Jesualdo sempre disse que eu não me encaixava na forma de jogo dele. Procurei espaço no Flamengo, consegui fazer um bom trabalho e voltar a jogar bem. É o mais importante. Provei que ele estava enganado.

Mas ainda sonha brilhar no Porto?

Tenho contrato lá por mais alguns anos e sonho sim. Brilhei em 2005 e 2006. Tenho muito carinho pela torcida, mas no momento estou no Flamengo e tenho que pensar somente nisso e alcançar o objetivo maior que é a Libertadores.

Em 2004, você estava naquele time do Flamengo que perdeu a Copa do Brasil para o Santo André e conseqüentemente não conquistou a vaga na Taça Libertadores. Chegar ao torneio continental virou obsessão?

Não disputei nenhuma Libertadores, perdemos a final da Copa do Brasil para o Santo André em um jogo complicado. Foi uma decepção não só para mim, mas para toda a torcida. Fiquei muito triste, muito chateado. Demorei um tempo para digerir essa derrota e mais tempo ainda para sair de casa pela vergonha que senti. Não só eu, mas a equipe toda.

Faltou algo naquela final? Ou sobrou oba-oba?

A semana foi tranqüila. Não teve nada especial, entramos concentrados. Faltou fazer gol. Foi o pior momento da minha carreira. Eles vieram atirando no escuro porque Se vencessem virariam heróis. Temos que tirar isso como lição nesta reta final de Brasileiro.

Neste momento, Ibson é avisado pelo assessor de imprensa do Flamengo, Leonardo André, sobre a indicação como um dos três melhores de sua posição no Campeonato Brasileiro. Ele abre o sorriso e comenta a disputa do próximo dia 3 de dezembro, no Theatro Municipal.

Vivi um momento muito triste ano passado, com duas contusões. Quebrei o pé e depois tive um problema no joelho. Fiquei muito decepcionado, mas estou de volta à boa forma, e novamente com a camisa do Flamengo, onde em 2004 fiz um excelente Campeonato Brasileiro. Quero dar continuidade a esse trabalho que está sendo muito proveitoso.

Minha esposa com certeza está muito feliz. Ela me liga e fica brincando se eu já comprei minha roupa para o prêmio. Disse que tinha garantido a dela. Fico feliz, mas agradeço ao grupo porque não jogo sozinho.

Você ama o Flamengo?

Ah, cara. Posso dizer que sim. Estou no Flamengo desde os meus nove anos. Saí com 21 e voltei aos 23. Passei muitos anos aqui. Não tem como não ter um carinho grande. Pode-se dizer que sou apaixonado pelo clube. E tenho certeza que a torcida pensa da mesma forma.

Você se sente ídolo da torcida?

Não digo ídolo, mas eles têm um carinho muito grande. Sempre me apoiaram, nunca tive problema nenhum com a torcida. Nunca saí vaiado do estádio. Mesmo em 2004, quando vivemos uma situação complicada após a perda do título da Copa do Brasil e a campanha ruim no Brasileiro.

Seu estilo de jogo ajuda nesta identificação?

Ajuda, você pode ver isso também pelo Toró. Ele recebeu o reconhecimento pela vontade que demonstra. No Flamengo, você pode não estar bem com o pé, mas se estiver se esforçando, agrada à torcida.

Você vestiria a camisa de outro clube brasileiro?

Sou profissional. Se surgir alguma proposta, é claro que não vou recusar de primeira. Outros clubes quiseram me contratar antes de eu acertar com o Flamengo, mas no momento que estava vivendo, o melhor era retornar.

Se eu pudesse ficar aqui até o fim da minha carreira, permaneceria com o maior orgulho. Aqui é minha casa, onde fui criado e passei a infância e a adolescência. Para jogar no Flamengo tem que amar esse clube.

Apesar de todo esse amor, voltar ao futebol brasileiro aos 23 anos (atualmente, ele está com 24) estava nos seus planos?

Não, foi uma surpresa. Fiquei triste porque o treinador disse que eu não encaixava na forma de trabalhar dele. Sabia que com ele não tinha chance, mas ao mesmo tempo tinha convicção de que poderia permanecer na Europa porque sou uma pessoa muito alegre. Dificilmente fico de cara fechada. Futebol é alegria e se não estiver assim, não dá para desempenhar um bom trabalho. Tive alguns momentos de tristeza, mas sempre sorrindo dentro do clube. Os problemas ficavam em casa.

Mas se você tinha mercado na Europa por que decidiu voltar?

Porque no momento que eu estava vivendo precisava de algo mais. E nada melhor do que o Flamengo. Confiança é tudo. Joel me dá total. Tive isso no Porto, com o José Couceiro, em 2005. Tínhamos um time excelente com Maniche, Diego, Costinha, Luís Fabiano e consegui jogar. Com a seqüência de partidas você aumenta a auto-estima, o moral. Isso ajuda bastante.

Ao longo desta arrancada do Flamengo no Brasileirão, qual foi o jogo que mais o marcou?

Contra o São Paulo. Eu tinha machucado o tornozelo direito, fiquei fora de três jogos e ainda estava sentindo muita dor. Se vocês repararam, ainda mancava um pouco. E não estava bem no jogo, até pela falta de ritmo. Mas, partida difícil, e (risos) o homem lá de cima deu uma bênção. Você pode ver que a bola bateu em todo mundo e eu consegui puxar de ombro e fazer o gol que garantiu a vitória.

Ibson leva a mão ao tornozelo e completa:
Está inchado até hoje. Pode ver. Ainda não voltou ao normal porque a gente não pára. Só vai ficar legal mesmo nas férias. Sinto um pouco de dor quando bato na bola porque não gosto de usar atadura. Cheguei a colocar por quatro jogos, mas parei porque limita alguns movimentos.

Houve algum pacto para esta arrancada no Brasileiro?

Não. Sabíamos que tínhamos um bom grupo. Ninguém tem problema com ninguém, não há vaidade. Mas dentro de campo a gente se cobra mesmo. Discussão é normal, é para acertar. Não posso pedir "marca, por favor". Tem que ser um pouco mais agressivo.

Você é o mais pilhado do grupo?

Como as pessoas dizem, não consigo ficar parado. Sou um cara alegre, estou sempre
brincando. Acho que o dia que eu estiver triste vocês vão perceber rápido. A felicidade está estampada no meu rosto.

Dentro de casa você também é assim?

Ah, minha esposa (Cínthia) é muito parecida comigo. A gente está junto há sete anos e às vezes falo que parecemos grandes amigos. Combinamos em tudo e agora tem o meu filho, que anima ainda mais.

E já sabe trocar fralda?

Troco. Eu ajudo em quase tudo. Só não dou banho porque ele ainda está muito mole (tem pouco mais de 20 dias) e eu tenho medo. Filho dos outros eu nem gosto de pegar no colo, mas o meu não tem jeito. Ele acorda muito durante a madrugada e eu tento ajudar minha esposa.

O jogo conta o Atlético-PR é o mais importante de todos os que você disputou pelo
Flamengo?

O momento é muito bom. O Flamengo há muitos anos que não fica numa situação assim e temos o nosso objetivo de conseguir a vaga na Libertadores. Em 2004, também teve muita euforia porque fomos campeões cariocas e chegamos à final da Copa do Brasil. Mas agora está sendo melhor ainda.

A torcida é um capítulo à parte da trajetória do time neste Campeonato Brasileiro. Como você vê esse momento de sintonia entre jogadores e torcedores?

Eles nos apóiam desde que estávamos em 19º lugar. É um momento muito especial, em todos os jogos eles têm comparecido, lotado o Maracanã. Quando estou no ônibus e vejo aquele estádio tomado, Jesus, é muito emocionante. Dá aquele arrepio e muita vontade de vencer.

Fonte: Globo Esporte
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