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domingo, 13 de dezembro de 2009

"Uma vez Flamengo, seis vezes Flamengo." A trajetória do Hexa contada a partir do Andrade.


Andrade não podia ser técnico porque até então tinha sido apenas interino. Não ganhara nada como treinador (como Bruno teve a infelicidade de vomitar uma vez). Não era ‘branco’, tinha dicção imperfeita, não se vestiria com ternos de grife à beira do campo. Fala muito mansa e tranquilo demais para o jeitão de treinador. Não fazia questão de aparecer para as câmeras e sempre foi muito cortês e respeitoso com a imprensa. Sentiria a pressão. Não teria pulso com os jogadores. No máximo brigaria para não cair tendo em vista o ‘retrospecto’ pouco animador como interino.

Silas, Mancini, Celso Roth, Jorginho e por aí vai. Todos foram especulados para substituir Cuca. E o Andrade? O Andrade vai comandar os dois próximos jogos e só, diziam as más línguas. 2x1 em cima do Santos de virada e tabu de nunca ter vencido na Vila quebrado. 3x1 em cima do até então poderoso Galo. E o Andrade? A torcida resolveu apoiar e por livre e espontânea pressão, após não encontrar outra saída no mercado, os homens do poder resolveram efetivá-lo. Ainda assim, havia os que achavam um risco alto a correr com um preço alto a se pagar no fim já que o campeonato estava apenas no meio e muita água ainda haveria de passar pela ponte.

“Pago pra ver o final que terá o Flamengo do Andrade...”, ouvi torcedores de times rivais falarem. Enquanto isso, o já efetivo Andrade empatava com o Náutico no Maracanã, perdia do Goiás fora e tomava passeio de Cruzeiro e Avaí, o que começava a contrastar com a opinião dos poucos que apostavam no técnico. Eu pertencia a esses.
Não sei quem percebeu que a situação estava crítica com o time jogando cheio de garotos e com uma lista de titulares no departamento médico. O fato é que alguém teve um pouquinho de bom senso e boa vontade na Gávea; e resolveu se mexer.

Chegaram Álvaro e Maldonado. Com eles “vieram” Aírton e Willians que passaram a deixar a ferradura em casa e começaram a jogar bola. Houve a aposta no até então velho em final de carreira Petkovic que assumiu a responsabilidade de arrumar e carregar o meio campo. Teve o puxão de orelha no Zé Roberto que passou a entender de verdade o que é Flamengo e as orientações ao Bruno que não precisava bater tiro de meta com chutão toda hora quando podíamos manter a posse de bola a começar pela reposição do goleiro que mudou visivelmente dando a bola no pé da zaga e melhorando a saída do time da defesa para o ataque.

O esquema também mudou. Do insistente 3-5-2 que até então era a formação imutável do Flamengo para o simples e eficiente 4-4-2 ou 4-2-3-1 sem muita frescurice e palhaçadinha de zagueiro virando lateral ou lateral virando meia armador. Cada um na sua posição, fazendo o seu feijão com arroz bem feito e deixando a o filé mignon com o ‘vovô’ Pet e o Imperador Adriano. Foi assim que o Mengão foi chegando no sapatinho e na marcante humildade do antes desacreditado Andrade. Mas faltara ainda a cereja do bolo. Chegar pelo menos entre os quatro já seria uma glória enorme para o elenco e o treinador. Para isso ainda era preciso passar por cima de Palmeiras, Atlético-MG, do poderoso São Paulo... times que sua torcida já gritava “É campeão” em algumas rodadas quando chegavam a posição de líder. O G-4 já estava formado acrescentando o Inter de D’Alessandro, Taison e Guiñazú. Mesmo tendo arrumado o time seria praticamente impossível bater os favoritos e chegar ao pelotão da frente. Muito menos tirar uma diferença de 12 pontos de distância do então líder Palmeiras e sonhar com o título. Isso sim era delírio da Nação ‘iludida’ e acostumada com os vexames dos últimos anos, como dizia a arcoirizada. Talvez com Felipão, Luxemburgo ou Abel Braga, treinadores acostumados com desafios, sim. O Andrade não seria capaz de tamanha proeza.

E a Nação ‘iludida’ permanecia cantando no Maraca e em outros estádios do Brasil o ‘vamos Flamengo, vamos ser campeão!” E Andrade permanecia na dele, executando seu trabalho com competência e o apoio e simpatia total do elenco. Elenco este que ia vencendo um, dois, três jogos seguidamente e aparecendo no retrovisor dos bichos-papão da competição. Não satisfeito com o progresso do time e sentindo que poderíamos chegar mais longe, a Nação ‘iludida’, o técnico ‘interino’ e o time apenas ‘arrumadinho’ do Flamengo passaram a acreditar ainda mais no tão sonhado Hexa após vitórias com autoridade sobre São Paulo, Palmeiras, Atlético-MG.

Aí começaram a olhar com mais atenção para o clube desorganizado e sem estrutura. O que a gente estava fazendo de repente na vice-liderança? E logo depois aparecíamos no primeiro lugar da tabela com enormes chances de título após 17 anos esperando. Contrariando a opinião da massa que se considera entendida de futebol, dos rivais que riam da nossa cara quando falávamos no hexa e dos matemáticos fanfarrões como o tal de Tristão Garcia que chegou a debochar das chances de título dizendo que eram tão remotas que passavam a ser irrelevantes.

Houve a derrapada que poderia ser fatal: empate com o Goiás quando tudo conspirava ao nosso favor menos a bola que insistia em não entrar naquele jogo. Porém quando é pra ser não tem jeito. E quando é pra ser do Flamengo, não sei por que, mas tem que ser sofrido, tenso. Acho que é para ser sempre inesquecível como foram os principais títulos do clube. Esse não seria diferente.

Bendito ano de eleição na Gávea! Acho que nunca mais serei tão grato ao destino por fazer de 2009 o ano eleitoral no clube que mexeu com a cartolagem e foi determinante para a permanência do Andrade, já que muitos não quiseram vir por tal motivo. Bendita dívida do Pet que fez com que o gringo viesse e voltasse a ser merecidamente idolatrado dentro dos gramados pela torcida rubro-negra. Bendito responsável pela contratação de Maldonado e Álvaro, grandes colaboradores da arrancada. Bendita imprensa e jornalistas que em momento algum nos deu como um dos principais favoritos ao caneco e nos tirou o peso que já era muito grande do tal ‘Brasileiro é Obrigação’, que não fazia bem a quem entrava em campo. Bendita Olimpikus, Alê e Bozzano que chegaram e nos deram muita sorte. Bendita torcida que nunca deixou de acreditar em coisa maior quando os 46 pontos que livravam do rebaixamento ainda eram a meta do time. Bendito Clube de Regatas do Flamengo que proporciona alegria, emoção, prazer, orgulho. Nos faz renovar a nossa fé. Nos permite sonhar, vibrar, acreditar. Passar por situações e experiências indescritíveis. Nos permite acordar numa manhã de domingo qualquer e finalmente dizer: “Uma vez Flamengo, seis vezes Flamengo”.
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