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sábado, 22 de maio de 2010

Cinco meses que não merecem replay.

O que dizer após mais uma eliminação em Libertadores? Apontar para tudo quanto é lado e procurar culpados num jogo, sendo que apenas mais um bendito gol faria com que esses não existissem? Após a partida, onde as fortes emoções ainda estão à flor da pele, é mesmo compreensível que isso aconteça, até porque nenhum torcedor é de ferro. Mas depois de algum tempo e com a cabeça fria, começamos a enxergar as coisas de forma mais justa.

Não é de ontem que o Flamengo vinha implorando para sair competição. Uma série de acontecimentos advindos de sorte fizeram com que chegássemos as quartas de final mesmo sem que tivéssemos tido bola para chegar.

Nesta quarta-feira vimos um Flamengo pelo menos setenta e cinco por cento próximo ao que conquistou o Brasileirão ano passado. Não que o time foi altamente superior e realizou uma grande partida, mas houveram aspectos que poderiam ter facilitado nossa caminhada na Libertadores se a competição fosse levada à sério desde o começo.

E quando digo “levada a sério”, me refiro muito mais a fatores extra campo ao futebol apresentado. Pré-temporada com a presença de todos os jogadores no dia programado, Adriano e Petkovic com a cabeça no lugar, Andrade com mais jogo de cintura e personalidade para bater de frente com algumas atitudes e pessoas; e por fim uma diretoria de futebol menos amadora. Isso tudo aliado à determinação que o time apresentou contra a La’U’ não só nos levaria mais longe como também certamente nos traria o trigésimo segundo título carioca. Afinal, nem o mais crítico dos torcedores diz que somos tecnicamente inferiores a Botafogo e Universidad do Chile. Fomos inferiores somando todos os jogos contra essas equipes, mas time por time, vencemos por goleada.

Como erros em clubes de massa costumam ser fatal (o Flamengo consegue ser exceção em alguns casos), dessa vez a bola puniu a falta de profissionalismo e comprometimento ao longo desses primeiros cinco meses. Daí, tiramos metade da explicação para a pergunta que mais martelou em nossas cabeças nesta quinta-feira: “porque não jogou assim desde a primeira partida, Flamengo?”

Patrícia, Andrade e Rogério estão longe de serem os principais e únicos responsáveis pela eliminação como o torcedor mais emotivo possa pensar. Mania de torcedor carioca achar que presidente e técnico tem de servir, além de tudo, como babá de jogador. Não adianta também agir com regime ditatorial. Tem de tratar o futebol acima de tudo feito qualquer outra profissão com seus direitos e deveres.

Depois perguntam porque o São Paulo consegue chegar deixando de jogar um futebol ridículo e crescendo na hora que mais precisa. Simples a resposta: lá eles podem até passar por conflitos internos, insatisfação da torcida e tudo mais, contudo, não vivem perdendo o foco com constantes crises e picuinhas desnecessárias que passam a ter conseqüência numa série de atos que refletem lá na frente.

Não basta lembrar e se dizerem profissional quando aparece torcedor revoltado cobrando freneticamente. Quando se perde, porém o time mostra comprometimento, faz as coisas como manda o sucesso no futebol, a torcida fica triste, mas consegue compreender que a derrota também faz parte. Foi o que aconteceu neste último jogo (apenas neste) e de certa forma acabou confortando o torcedor.

Que os próximos meses, sobretudo após a Copa do Mundo, seja de maior conscientização de que futebol não se ganha apenas dentro de campo como parece. Isso vale desde a presidente ao roupeiro. Para que possamos competir mais um Brasileirão de forma digna e com chances claras de conquista, porque temos time de sobra para isso.

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