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sábado, 21 de setembro de 2013

Fracasso da política neoliberal do Flamengo

Atual gestão do Flamengo é um típico caso de uso da agenda neoliberal no esporte. Seus resultados tem se assemelhado ao de países que se submeteram ao ideário recessivo: crise social e econômica agudas

Do blog Palavras Diversas 

A agenda neoliberal só sobrevive nos protocolos das ações insensíveis daqueles que ainda teimam em NÃO reconhecer que a inventividade, a criatividade e o investimento, em detrimento da austeridade fria e generalizada, é o que move organismos e governos para alcançar o pleno desenvolvimento econômico e social.

A atual gestão do Flamengo demonstra porque fracassa em tentar reorganizar um clube, objeto da paixão de 40 milhões de brasileiros.  Porque adotou o ideário neoliberal como norte de seus objetivos, em uma administração que suprimiu investimentos, é austera, demasiadamente, ao cortar custos e empregos, a troco de muito pouco.

De certa forma ainda podem afirmar: o clube está em processo de saneamento administrativo, com salários em dia, apesar de um contingente bem menor de empregados, dívidas sendo regiamente pagas, mesmo que comprometa a capacidade de investir em seu principal ativo, o futebol.

A nova diretoria pode gabar-se de seus feitos administrativos, pode exibir-se para o mercado financeiro como portentosos defensores do enxugamento da estrutura do clube e do choque de gestão e de eficiência…administrativa.  Termos batidos do neoliberalismo,  já velhos e vencidos.

Um ciclo que se fecha apenas em resultados da atividade meio, números gelados.

Revelam-se mestres no uso da tesoura, mas fracos na inventividade e ações criativas para fazer a mola mestre deste clube funcionar em sua plenitude.

O futebol é o que leva mais adiante esta instituição, sua atividade fim mais reconhecida por seus milhões de seguidores.  É esta a marca que foi relegada ao segundo plano pela atual gestão.

De que adiantará ser austero e recessivo, se o futebol, do qual parecem não entender o funcionamento e a paixão que o rege, não é capaz de apresentar resultados positivos?  De que adianta um país, como a Grécia, por exemplo, apresentar altos índices superavitários mensalmente, à custa de desemprego, arrocho salarial e criminalidade recordes?

É disso que estou falando.

É óbvio que o clube precisa ser saneado.  O Flamengo parece repetir a história recente do país.  A administração anterior, de Patrícia Amorim, assemelha-se, em herança maldita e práticas políticas, ao governo Sarney.  A atual parece querer repetir o erro de Collor e tratar a choque um paciente a beira da morte.

O Flamengo vive esta situação.

Sabe-se o que houve depois nos anos 1990 no Brasil, pode esta situação reproduzir-se na Gávea?

Cortar gastos desnecessários é importante e precisam ser feitos.  Mas decidir não fazer aportes do tamanho que o clube necessita e seus seguidores exigem, para permanecer forte e capaz de gerar mais receita a partir dos resultados que conquista dentro de campo, é ainda mais importante.

É uma equação difícil, mas não impossível.  A escolha pelo encolhimento já deu mostras, mundo afora, que não surte efeito e tende a tornar, de fato, menor do que já se foi um dia e minar a capacidade de recuperação da grandeza perdida, em curto/médio prazo.

A gestão Bandeira de Mello dá sinais inequívocos de fracasso na aposta de uma agenda recessiva que sufoca o futebol rubro-negro.  Apesar dos resultados frios de balanços bem disciplinados, com ajustes fiscais radicais, a insatisfação tende a crescer, interna e externamente, porque dentro das quatro linhas as ações são desastrosas e demonstram impotência criativa para resolver um problema escancarado e que atinge também a uma multidão de torcedores.

No final das contas, é o torcedor o ativo maior do Flamengo e que tem sido negligenciado em suas aspirações e desejos por esta administração medíocre.  Assim como foram derrotados, fragorosamente, governos de enorme insensibilidade social no Brasil, o Flamengo é uma nação e seu governo está a beira do caos social que plantou…
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