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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Para especialista, Ronaldo é lucro certo


Repatriar um ídolo pode ser uma boa forma de encher os cofres. A afirmação é baseada na conversa com o consultor de marketig esportivo João Henrique Areias. O GLOBOESPORTE.COM procurou um especialista no assunto para avaliar o possível retorno de Ronaldo Fenômeno ao Brasil para jogar a Copa Libertadores 2008 pelo Flamengo. Caso a negociação se concretize, Areias acredita em lucro significativo para o clube rubro-negro.

- A iniciativa é muito boa. Não duvido que o Kléber (Kléber Leite, vice de futebol do clube) consiga, pois conseguiu trazer o Romário em 1995. No futebol você não tem nada 100%, mas diria que a chance de dar certo é de quase 99%. A questão é estabelecer as ações necessárias para concretizar a negociação. Trazer um ídolo de volta ao país é altamente positivo - diz.


O consultor acredita que o Fla tem potencial de sobra para contratar o jogador do Milan e aponta caminhos para que o retorno seja um sucesso também fora de campo. João Henrique Areias aposta especialmente na paixão da maior torcida do Brasil.


- O primeiro passo é analisar todas as possibilidades de parcerias com os atuais patrocinadores do clube, a Nike e a Petrobras, e com o torcedor, que é o principal parceiro do Flamengo. No caso da Petrobras, daria um retorno de mídia fantástico. O Ronaldo pode ser o garoto-propaganda da multinacional e levar a marca para o mundo inteiro. No caso da Nike é até mais fácil, pois a imagem dele já é explorada pela empresa - comenta.
Kit do Corinthians vira modelo

Areias não tem dúvidas de que a venda da camisa de Ronaldo no Flamengo seria um sucesso. A conta que o consultor faz é simples.

- O número com que o mercado trabalha para atingir as estimativas de venda de camisas do Flamengo é de 30 milhões de torcedores, de acordo com levantamento das pesquisas. Se você tem um retorno de 4% desse total nas vendas (1,2 milhão de camisas) é considerado maravilhoso, é muito bom. A torcida já mostrou que ama o time e quer ajudar. Esse potencial precisa ser aproveitado - diz.

O especialista cita outro time de massa para dar mais um exemplo de ação de marketing que dá certo.

- O Corinthians lançou um kit ("Eu nunca vou abandonar porque eu te amo") e está fazendo o maior sucesso. Em 9 dias vendeu 50 mil unidades. O torcedor compra uma camisa, uma pulseira e um adesivo. Cada um custa R$ 44,90. Mas não pode ser a camisa de jogo do time, que é muito cara. Tem que ser algo simples e é possível fazer um kit desses sem o menor problema e conseguir resultados - recomenda.


Zico é um exemplo

As seguidas lesões de Ronaldo não devem atrapalhar o sucesso das ações de marketing do Flamengo com o jogador. Para o consultor, o aval de José Luiz Runco, médico do jogador, do clube e da seleção brasileira, faz a torcida deixar a desconfiança de lado.

- É claro que ele vai ser cobrado. Mas vai depender dele e ele já disse que está disposto a se recuperar. O Ronaldo tem 31 anos e é muito novo ainda - diz.

João Henrique Areias trabalhou no Flamengo em três ocasiões: 87, 92 (como vice-presidente de marketing) e 2004 (diretor profissional). É autor do livro "Uma bela jogada - 20 anos de marketing esportivo". Ele cita um exemplo de ação ousada que deu certo na década de 80.

- Em 87, eu estava no Flamengo e participei da reunião em que se discutia a renovação de contrato do Zico. Muita gente não acreditava que ele voltaria a jogar em alto nível pelas seguidas lesões. Metade estava contra e eu defendi a idéia de que, independente de jogar, teríamos que buscar recursos para mater o ídolo do time. Se ele não jogasse, seria o relações públicas do Flamengo, uma espécie de embaixador do clube. Renovamos e ele ajudou na conquista do título do Brasileiro de 87 - lembra.

Em 1995, ação ousada, mas mal aproveitada

Reprodução

Quando trouxe Romário para a Gávea, o Flamengo estava investindo no melhor jogador do mundo, eleito em 1994. Na visão do consultor, houve um erro de avaliação das estratégias por parte do clube.

- Na época, as empresas ajudaram a trazer o Romário. Houve uma empolgação, um erro estratégico da equipe que comandava o futebol e o time que também tinha o Sávio e o Edmundo não funcionou. O Romário deu muito retorno de mídia ao Flamengo, pelo apelo natural que ele tem, mas o clube não soube aproveitar a presença dele para lançar produtos e faturar - comenta.


Lucro também para Ronaldo

Para jogar na Gávea, o Fenômeno aceitaria reduzir seu salário em 50%. De acordo com o jornal italiano "La Gazzetta dello Sport", ele recebe cerca R$ 750 mil e passaria a ganhar R$ 375 mil. Areias acredita que jogador e clube podem chegar a um acordo benéfico para as duas partes.

- O Flamengo vai conseguir trazer o Ronaldo sem precisar gastar os valores de Europa. Ele pode receber o teto do salário do clube e receber uma parcela da receita sobre produtos com a sua imagem, que certamente vão vender bem. Eu daria esta sugestão, pois resguarda o clube - opina.

Gestão profissional

Para João Henrique Areias, a volta de Ronaldo Fenômeno pode ser um bom sinal do início da profissionalização da administração esportiva no país.

- Há a necessidade de profissionalizar a gestão do esporte. É preciso criar alternativas para trazer outros artistas da bola para cá. Temos que ser a NBA do futebol. Somos exportadores de matéria-prima e precisamos exportar o espetáculo. O fato de o Ronaldo disputar a Libertadores vai atrair a atenção do mundo inteiro, assim como o Adriano no São Paulo também. Hoje temos ações isoladas de marketing e os dirigentes não são executivos do esporte - avalia.


Fonte: Globo Esporte
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